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A mais nova vítima mortal de Covid-19 em Portugal e as potenciais vacinas de combate ao vírus

  • Foto do escritor: Manuel Brito-Henriques
    Manuel Brito-Henriques
  • 21 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 22 de ago. de 2020

Ocorreu a primeira morte de uma criança vítima da Covid-19 com menos de 10 anos de idade em Portugal. A mais nova vítima mortal da Covid-19 em Portugal tinha apenas 4 meses de idade, falecendo no dia 19 de agosto. Segundo a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, a menina de 4 meses “nasceu com uma cardiopatia congénita bastante grave e a situação da Covid-19 levou ao agravamento desta patologia”, originando “uma miocardite” que evoluiu para “um choque séptico”, o que foi agravado pelo SARS-CoV-2, “em que a transmissão terá sido familiar”, tendo sido, oficialmente, a Covid-19 a originar a morte da menina, uma vez que levou à existência de diversos problemas no organismo da criança. A cardiopatia congénita, doença que acompanhou a criança desde sempre, representa uma anomalia na estrutura do coração e dos grandes vasos sanguíneos e afeta 1 em cada 100 crianças, de acordo com dados disponibilizados pela American Heart Association. A cardiopatia congénita pode ser representada através de alterações na válvula cardíaca, alterações nas paredes entre os átrios e ventrículos, má formação de um dos ventrículos e na existência de um só ventrículo. Uma destas anomalias era verificada no corpo da jovem, e a partir da Covid-19 originou o choque séptico, o qual ocorre como consequência de um agravamento de determinada infeção que afeta o sistema imunológico, com a entrada de uma bactéria, fungo ou vírus na corrente sanguínea. Neste caso, deu-se a presença simultânea do novo coronavírus com a cardiopatia congénita, o que afetou todo o sistema imunológico, desencadeando uma inflamação descontrolada no organismo. Para além da cardiopatia congénita, o fator de risco para a ocorrência do choque séptico prende-se à diabetes, leucemia, uso recorrente de antibióticos, infeções, procedimentos médicos recentes (como cirurgias) e uso de esteroides.

Esta tragédia, ocorrida no dia 19 de agosto, surge após serem reveladas duas vacinas que estão a ser experimentadas e trabalhadas, de forma a combater o vírus que teve origem na China, em 2019. Em primeiro lugar, destaque para a Rússia que, no dia 11 de agosto, anunciou a primeira vacina contra a Covid-19, a qual, segundo Vladimir Putin, terá sido experimentada na própria filha que aparenta não ter sofrido qualquer sintoma, ademais da febre. A vacina gerou algum ceticismo, uma vez que só começou a ser criada há 2 meses e, segundo a OMS, a Sputnik V, nome dado à vacina desenvolvida pela Rússia, falhou a 3ª fase de testes, fase que implica o ensaio em milhares de pessoas, gerando alguma desconfiança por parte da organização que pretendeu não alimentar falsas esperanças, admitindo estar a cooperar com as autoridades russas, avaliando a Sputnik V, até se ter a certeza de que é eficiente no combate ao vírus. Já no dia 20 de agosto, a OMS demonstrou interesse em saber mais sobre a vacina russa, e desmentiu um possível desconforto quanto ao país onde a vacina está a ser desenvolvida, mas a preocupação pela “segurança e eficácia” está presente “em todas as vacinas em desenvolvimento”, independentemente do país onde a mesma seja criada. A partir de Catherine Smallwood, a OMS assumiu estar a planear arranjar uma forma “acelerada” para encontrar a vacina certa, sem, no entanto, pôr em causa os critérios de “segurança e eficácia”. A Sputnik V está a ser produzida pelo Centro de Pesquisa de Gamaleïa, tendo já criado o primeiro lote de vacinas, o qual o Governo russo deseja que comece a ser utilizado no país euroasiático já em outubro.

Além da Rússia, também a China está a desenvolver uma vacina contra o SARS-CoV-2, no laboratório de Sinopharm, anunciada no dia 16 deste mês. A segunda fase de testes confirmou que a vacina é segura e cria imunidade ao coronavírus, havendo sido utilizada pelo Exército chinês, há 2 meses, com o objetivo de fazer frente a um anticorpo desconhecido. A vacina foi experimentada em 500 outras pessoas que testavam positivo à Covid-19, necessitando-se, no entanto, de muitos mais testes em humanos para se comprovar que, de facto, esta vacina combate, convenientemente, o novo coronavírus. Os primeiros testes “além-fronteiras” estão a ser feitos nos Emirados Árabes Unidos, de modo a finalizar a 3ª fase de testes. Liu Jingzhen anunciou que “o tratamento completo”, constituído por 2 vacinas, custará à volta de 120€. Caso cumpra positivamente a 3ª fase de testes, a vacina poderá ser disponibilizada. A própria Sinopharm não retirou a possibilidade de se dar início à comercialização do tratamento ainda em outubro, isto caso a 3ª fase de testes fique concluída ainda este mês, mas, no pior dos cenários, o laboratório chinês aponta para que esta esteja disponível no mercado em dezembro de 2020.

Naturalmente, há quem manifeste o seu receio relativamente às soluções evidenciadas ao longo deste artigo. O curto espaço de tempo para a elaboração da vacina deixa muitas pessoas receosas. Contudo, muitos outros creem que estas possam representar os instrumentos de salvação de vidas inocentes, independentemente da idade. Como já dito por muitos, o vírus não escolhe pessoas nem idade, sendo a bebé de 4 meses exemplo disso mesmo.


Imagem de Afonso Silva

 
 
 

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