Entrevista a Bruno Belo- Campeão Nacional de Futebol Freestyle
- Manuel Brito-Henriques

- 8 de out. de 2021
- 13 min de leitura
No passado dia 5 de outubro, fui ao encontro de Bruno Belo, o mais recente campeão nacional de Futebol Freestyle. De forma muito cordial, o freestyler português mostrou-se preparado para responder a uma série de perguntas relativas ao funcionamento da modalidade e a respetiva vertente competitiva, à história do próprio no mundo do Freestyle e ao crescimento deste desporto em Portugal e no mundo.
Manuel Brito Henriques: O que é o futebol Freestyle?
Bruno Belo: O Futebol Freestyle consiste em fazer truques com todas as partes do corpo, tendo em atenção a criatividade. Os ‘freestylers’ dão uma grande importância aos toques com a cabeça e “voltas ao mundo”, existindo até quem crie os próprios movimentos. No entanto, esse não é o meu caso, já que tenho um estilo mais simples, procurando protagonizar prestações mais seguras, tanto em atuações como em competições.
MBH: Pegando justamente na parte do competitivo, como funcionam os torneios e as pontuações dadas aos atletas?
BB: Cada batalha tem três minutos, opondo, geralmente, apenas dois adversários, divididos por 30 segundos alternados, ou seja, 90 segundos para cada freestyler. Os critérios sob os quais se baseia a pontuação são a criatividade, o estilo e o controlo. Procedendo a uma explicação breve de cada um destes critérios, o estilo passa por ter uma atuação limpinha e bonita, pelo que o atleta tem como principal preocupação manter uma certa compostura; a criatividade é, como já referido, o critério que valoriza a criação e inovação de movimentos; e o controlo consiste em não deixar que a bola caia.
MBH: Com que frequência decorrem os mundiais? Em quantos já participaste?
BB: Eu já marquei presença em três mundiais de competição aberta, todos eles na República Checa, no Super Ball World Open, e decorrem todos os anos. Este ano, por ter sido campeão nacional, participei no Red Bull Street Style.
MBH: Tens assistido ou prevês um crescimento da modalidade em Portugal?
BB: Ao nível do desempenho e qualidade, tenho de admitir que os truques são cada vez mais inovadores e bem conseguidos. Porém, ao nível da evolução da modalidade, não vejo isso a acontecer, antes pelo contrário. Há já algum tempo que assisto a uma estagnação da mesma e a pandemia não ajudou em nada...
MBH: Com “crescimento da modalidade” entenda-se um maior número de participantes e aficionados.
BB: Ah, nesse sentido, tenho uma opinião ambígua. Por um lado, quando comecei a dar os primeiros passos na vertente competitiva, havia 5 ‘freestylers’ muito bons. Foram os melhores durante muito tempo, mas, entretanto, com o sentido de responsabilidade que a idade traz, nomeadamente a constituição de uma família ou um trabalho mais estável, deixaram de dar prioridade à modalidade. Por outro lado, têm surgido cada vez mais jovens a praticá-la, ou seja, há mais atletas. Contudo, anteriormente, havia uma maior dedicação e profissionalismo, muito porque, de momento, não há tantos apoios, trabalhos, atuações, eventos e competições, o que faz com que a motivação se perca.
MBH: Ainda assim, e pegando no teu exemplo, não concordas que os convites que já recebeste para atuar, nomeadamente em canais de televisão- como a TVI ou o Canal 11, que pertence, inclusive, à Federação Portuguesa de Futebol-, contribuem para impulsionar o crescimento do Freestyle português?
BB: Claro que sim. Sempre ajudou e continua a ajudar. Sempre que vou à televisão acabo por receber ofertas de determinadas marcas para participar em eventos e galas. Por exemplo, no ano passado, por ter aparecido no Canal 11, fui convidado a participar no lançamento da bola da “Select”, a bola da Liga Portugal.
MBH: A Federação Portuguesa de Futebol não poderia, à semelhança do que faz com o futsal, investir mais na promoção da modalidade em questão?
BB: Poderia, sem dúvida. No entanto, o futsal só explodiu recentemente, e agora até fomos campeões do mundo...um feito inigualável. Já o Freestyle precisa, antes de mais nada, que os freestylers se unam e mostrem querer outro tipo de condições, algo que, atualmente, não acontece. Estamos muito individualistas, coisa que há 10 anos era impensável. Já tivemos um ‘site’ exclusivamente nosso, tínhamos um logotipo próprio, as nossas próprias camisolas, queríamos marcar presença em eventos enquanto comunidade e tínhamos um cachê definido. Hoje em dia, os atletas aceitam menos dinheiro por atuação e, ao invés de remarmos todos para o mesmo lado, decidimos chocar uns contra os outros. Imaginemos um evento em que eu pedia para receber 100€. Agora há quem aceite receber 30€ pelo mesmo evento só para aparecer, sem ter em conta o esforço que dedicámos ao treino, pelo que permitimos que o nosso trabalho seja desvalorizado. Antes o nosso foco estava virado para o amor à modalidade, hoje está virado para os ‘likes’ e visualizações nas redes sociais.
MBH: E lá fora? Tens noção de que forma está o Futebol Freestyle a crescer?
BB: No estrangeiro, está a evoluir muitíssimo. Há, inclusivamente, escolas de Freestyle na Colômbia, Noruega...alguns freestylers brasileiros já conseguem viver bastante bem devido a patrocínios. Alguns ginásios dão-lhes todas condições para treinarem e evoluírem, o que está muito longe de acontecer em Portugal.
MBH: Pegando nesses exemplos, e apesar de o panorama em Portugal ser muito distinto, acreditas que, olhando para o skateboarding, a presença do Futebol Freestyle pode ser, em breve, uma realidade?
BB: “Breve” é muito relativo. Mas acredito que um dia irá acontecer. Resta saber quando. É necessário ter-se em conta que a Covid-19 deixou feridas em diferentes áreas, e o Freestyle não foi exceção, pelo contrário. Esta é uma modalidade que sobrevive às custas do público, dos eventos ao vivo, e ultimamente tem sido tudo à base de competições “on-line”.
MBH: Mas por que motivo achas que a pandemia influenciou tanto o Freestyle, mas não teve o mesmo impacto no skateboarding, por exemplo?
BB: O skateboarding já vem de há muitos anos. Nós temos atletas muito bons cá em Portugal, que competem muito lá fora e representam Portugal de forma muito digna. No caso do Freestyle, os únicos atletas portugueses que já competiram lá fora foi o Fábio- antigo campeão nacional-, o Rafael Couto, que foi a um Europeu, e eu. Mais ninguém. Nos 3 anos em que fui ao Super Ball, fui o único a representar Portugal, sendo o único português conhecido nessa competição. Este ano, fui o único a representar Portugal na Red Bull Street Style.
MBH: No caso do Gustavo Ribeiro, ‘skater’ que representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o mesmo vive nos Estados Unidos da América. Crês que há talento em solo português ao ponto de haver quem possa viver do Freestyle num país da América Latina, por exemplo?
BB: É uma realidade completamente diferente. Eles lá fora estão muito unidos e mostram-se muito mais. Quando vão a eventos, divulgam-se enquanto comunidade, e a própria televisão e contas com muitos seguidores nas redes sociais partilham muito o trabalho desses meus colegas estrangeiros. Por todas estas questões enumeradas, eles são vistos como atletas de alta competição, sendo quase ícones das localidades onde moram. Em Portugal, os freestylers são conhecidos no grupo de amigos e pouco mais, já que a modalidade é pouco divulgada, mesmo que tenhamos a vantagem de a praticarmos com uma bola de futebol, algo que em Portugal atrai muita gente, olhando para os casos do futebol, futsal e futebol de praia, modalidade em que também somos dos melhores. Em suma, e respondendo diretamente à pergunta, acredito que há talento e potencial nos freestylers portugueses, e com outro tipo de condições, tanto estruturais como ao nível da mentalidade, tal como acontece na América do Sul, podíamos viver bem disto.
MBH: Agora gostaria de gerar um bocado de polémica:
Achas que um jogador de futebol será um bom freestyler? E um freestyler será um bom jogador de futebol?
BB: Nós [freestylers] temos mais vantagem no controlo e domínio de bola. O Neymar e o Ronaldinho, que se destacavam- o Neymar continua a destacar-se- pela parte das “skills” e do domínio, ajudaram a trazer um bocado do Freestyle para o futebol, muito devido àquilo que na gíria é apelidado “futebol de rua”, e que faz parte da essência do Freestyle. Assim, tendo em conta as amostras que dei, creio que até certo ponto temos vantagem.
MBH: Centrando-me mais na tua história pessoal e profissional, de que forma surgiu a tua paixão por este desporto?
BB: Com cerca de 11/12 anos, comecei a dar uns toques com amigos e víamos quem conseguia dar mais. Lembro-me de passar muito tempo no quintal a treinar, de modo a poder chegar à escola e fazer o meu melhor. Para além disso, assistia a muitos vídeos de Freestyle e tutoriais que estavam disponibilizados no Youtube, e aprendi a fazer a “volta ao mundo”, o “crossover” - o meu primeiro truque- e a segurar a bola no pescoço, o que foi impressionando os meus amigos mais próximos e os “velhotes” lá da terra, que se mostravam impressionados com as qualidades de um miúdo baixinho e de tenra idade. Em 2012, ainda com 13 anos, e um ano após ter começado a treinar mais intensamente, participei no meu primeiro campeonato nacional. Na altura, comecei por gravar um vídeo que enviei para a Red Bull. Eles decidiram partilhar nas redes sociais, o que fez com que os freesytlers começassem a comentar muito e a incentivarem-me a competir no campeonato nacional, dizendo-me que era uma boa oportunidade para mostrar o meu valor e para adquirir alguma experiência. Inscrevi-me de imediato. Enviei um vídeo de qualificação de 1 minuto e fui um dos 16 melhores da qualificação, o que me garantiu a participação na competição ‘in loco’ em Lisboa, onde era o atleta mais novo. Nessa altura, calhou defrontar o à época campeão nacional, algo que me fez acreditar e perceber, apesar de ter sido eliminado, que tinha potencial para, no futuro, marcar presença constante nos grandes palcos. Recordo-me bem da grande ovação que me foi feita, dado que o miúdo de 13 anos de Portalegre se conseguiu bater muito bem contra um dos melhores do país. Esse foi o momento que me lançou definitivamente.
MBH: Na altura já tinhas um atleta-modelo?
BB: Sim. Na altura tinha como atleta-modelo aquele que era, e talvez continue a ser, o freestyler mais conhecido, o Séan. É um francês de tranças muito popular, que foi campeão mundial e era a minha grande referência. Os meus truques eram os que o via fazer e os que eu conseguia recriar, claro.
MBH: E continua a ser a tua referência?
BB: Não, não. Tento tirar o melhor de cada freestyler e acrescentar em mim. Contudo, hoje em dia, se tiver de escolher alguém como referência, escolho o Ricardinho, um grande amigo meu, que é brasileiro e foi campeão mundial. Gosto muito dele enquanto pessoa, já estivemos juntos duas vezes. Para além de ser uma pessoa fantástica, é muito focado, algo que eu valorizo muito, pois sei que ele chegou onde chegou devido a toda a sua dedicação.
MBH: Relativamente à tua presença em mundiais, já disseste que estiveste presente em quatro campeonatos do mundo, três Super Ball World Open e um Red Bull Street Style. Qual foi a tua melhor posição e em que ano?
BB: Este ano fiquei no top-54 mundial, porque o Red Bull Street Style é um torneio no qual só os campeões de cada país podem participar. Portanto, ao nível da classificação, este foi o ano em que fiquei mais bem posicionado. No entanto, 2019 foi o ano em que competi mais e em que ganhei mais experiência competitiva, no Super Ball World Open. Na fase de grupos do Super Ball World Open, os 2 primeiros classificados apuram-se para o patamar profissional, o 3º lugar vai para o patamar intermédio e aquele que fica em último lugar é remetido para o patamar dos ‘rookies’. Apesar de, nesse ano, ter ficado em 3º lugar na fase de grupos, consegui permanecer entre o top-16 mundial no patamar intermédio. Foi bastante bom, tive quatro dias seguidos só com batalhas. Nunca mais o voltei a vivenciar. Competi vários dias e, no top-16, perdi apenas com o campeão do patamar intermédio. Esse foi, sem dúvida, o ano em que me senti melhor num campeonato do mundo, encontrava-me muito motivado, com muita fome de vencer, permaneci lá durante muito tempo e fui eliminado numa fase tardia da competição.
MBH: Apesar de já teres referenciado o retrocesso e atraso que se assiste no Freestyle português, acredito que tenhas alguns objetivos mundiais. Assim sendo, admites que sonhas ou já sonhaste ser o primeiro português a sagrar-se campeão do mundo nesta modalidade?
BB: Claro que sim. Esse sonho é o que me faz acordar bem todos os dias. Cada vez que vou treinar, o foco é esse mesmo. É para isso que trabalho. Todavia, sendo mais realista, acredito num top-16 mundial. Dentro do Freestyle, é muito bom estar no top-16, seja a nível nacional, europeu ou mundial. Como nunca nenhum português conseguiu atingir essa marca, esse é já um grande objetivo e uma meta que tenho traçada. Chegar a um top-16 mundial já seria um feito incrível para um freestyler de Portugal, seria o início de um sonho, tendo em conta o nível em que nos encontramos. Sonhando mais alto, ser campeão do mundo...o sonho de qualquer freestyler.
MBH: Olhando para o que já conquistaste e o que, de facto, já é uma realidade, qual é a sensação de te teres sagrado campeão nacional, passados 10 anos de teres começado a dar os primeiros toques, derrotando o Renato Valença, nas meias-finais, e o Diogo Ribeiro, na final, dois atletas que se encontravam à tua frente no ranking nacional?
BB: É uma história interessante. O vídeo de qualificação foi feito on-line e tinha 1 minuto, como acontecera em 2012. Eu sabia previamente que iria funcionar por ‘rankings’ e, como tal, o meu objetivo passou por não ficar em primeiro lugar na qualificação. Éramos 16 atletas, e eu queria ficar algures entre o 4º e o 6º lugar. Não dei nem perto do meu melhor na qualificação, uma vez que esse seria o caminho mais fácil até às meias-finais, onde já sabia que, a partir de então, muito provavelmente, teria de defrontar os dois melhores do ranking. Naturalmente, queria ganhar a todos, viesse quem viesse, mas isto foi planeado para só os apanhar o mais tarde possível e não ter um percurso tão complicado quanto o Diogo, por exemplo.
MBH: Ao longo dos anos, foram surgindo várias propostas de trabalho em eventos de marcas, como já mencionaste. Olhando para todos os trabalhos que já realizaste, quais foram os três que mais apreciaste?
BB: Começo pelo trabalho realizado para a Carlsberg, no Euro 2016, quando Portugal se sagrou campeão europeu de futebol. Durante toda a fase de grupos, atuei numa “fan zone” no Terreiro do Paço, juntamente com mais três freestylers. Foi ótimo, um convívio magnífico, íamos para o palco sempre muito unidos, tudo sempre muito bem preparado e planeado. Correu-nos tudo muito bem. Para além da fase de grupos, ainda atuei nos oitavos-de-final e nos quartos-de-final.
Em segundo lugar, destaco um trabalho de Freestyle realizado em 2014, quando decorreu a final da Champions League entre Real Madrid e Atlético Madrid, no Estádio da Luz. Também no Terreiro do Paço, havia uma ‘fan zone’, atuando lá ao longo de 4 dias. Foi o meu primeiro trabalho de Freestyle e pela primeira vez soube o que era atuar para o público.
Em terceiro lugar, realço o já falado lançamento da bola da “Select” da Liga Portugal, em que, por infortúnio dos tempos que vivíamos, não pude atuar ao vivo, já que o evento foi organizado via “Zoom”, o que me impossibilitou de estar junto a jogadores como o Bruno Fernandes ou o Pote, e mostrar-lhes aquilo que mais gosto de fazer e falar um bocado com eles. Tirando essa pequena infelicidade, não deixa de ter sido uma experiência única, ainda para mais tendo em conta que foi o lançamento da bola que fez do Sporting campeão [risos].
MBH: Pegando nessa tua última afirmação, aproveito para te questionar se o facto de apoiares publicamente um clube, neste caso o Sporting CP, não te pode deixar, por vezes, sem determinadas propostas de trabalho?
BB: Ironicamente, o clube para o qual eu fiz mais atuações foi o Benfica. Curiosamente, já atuei três vezes para o Benfica, tendo participado, por exemplo, na inauguração da loja do Benfica no Aeroporto Humberto Delgado, completamente equipado de vermelho, juntamente com mais quatro freestylers. Na altura, recordo-me de haver muitos sportinguistas a reclamarem comigo, dizendo que “temos de ser fiéis” e “não vestimos outra camisola”. Antigamente, eu partilhava da mesma ideia...até chegar a minha vez e perceber que dentro do Freestyle (e não só) tenho de ser profissional. Mas, voltando ao momento da inauguração dessa loja do Benfica, tenho a relatar um episódio caricato:
Quando fomos tirar uma fotografia relativa a esse evento, tirámo-la com o meu telemóvel...cuja capa tinha o símbolo do Sporting. Os meus colegas chamaram-me à atenção logo nesse momento [risos].
MBH: Retomando o diálogo sobre a tua ligação à modalidade, qual é a ‘skill’ que usas mais frequentemente ou, por outras palavras, a tua imagem de marca?
BB: O truque que vejo como minha imagem de marca é o Alternate Homie Mitchy Around the World, que, basicamente, é uma dupla volta ao mundo feita com as duas pernas. É o truque que mais gosto de fazer, já o trago comigo há muito tempo e uso em todas as competições, sem exceção. Já o tenho muito aprimorado, sendo visualmente muito bonito. Garante-me uma pontuação elevada ao nível do estilo, da criatividade e do controlo.
MBH: De que forma a tua mudança para Lisboa, deixando para trás Portalegre e a tua família, teve impacto na tua carreira? Esse impacto foi positivo ou negativo?
BB: Sinceramente, a minha mudança para Lisboa deveu-se especialmente ao Freestyle. Quando ainda vivia na “terrinha”, cheguei a ter muitas propostas para participar em eventos no Porto, Algarve e Lisboa. Aos 15 anos já tinha uma série de propostas, mas, como os eventos me obrigavam a ter de fazer viagens de 5/6 horas no mesmo dia, os meus pais ficavam de pé atrás. A minha decisão de vir para Lisboa passou mesmo por aceitar o máximo de ofertas possível, tanto que, desde que cá cheguei, ainda não recusei qualquer trabalho. Vir para Lisboa ajudou-me a evoluir muito enquanto freestyler, ajudou-me a concentrar-me mais na modalidade e criar mais projetos. Os melhores anos a nível de Freestyle foram todos cá em Lisboa.
MBH: Ainda que reconheças a mais-valia da tua mudança para Lisboa, vês-te a voltar para o Alentejo?
BB: Sim, vejo-me. É um ambiente bastante calmo, dá para descontrair e mesmo a treinar posso meter música numa coluna e praticar tranquilamente. No Alentejo, parece que o tempo é mais bem aproveitado. Saio de casa e a menos de 200 metros tenho um campo onde treinar, o campo que acompanhou o meu crescimento enquanto pessoa e atleta. Tem outro sabor. Aqui na capital, preciso de sair de casa, procurar um sítio relativamente calmo para praticar...e muitas vezes nem sequer consigo encontrar.
Acima de tudo, sou da opinião de que o sítio onde se começa é sempre o mais importante.
MBH: Para finalizar, que mensagem queres deixar à comunidade de Freestyle em Portugal e aos miúdos de 12/13 anos que aspiram tornar-se freestylers?
BB: Recomendo que entrem em contacto com os freestylers certos, de modo a receber os conselhos mais acertados, pois foi isso que me fez crescer. Tenho a consciência de que cheguei onde cheguei porque convivi com uma geração muito boa, em que o próprio campeão nacional se mostrava apto para explicar a forma como aquecia, como executava os truques e como se processava a sua rotina, sem quaisquer tabus. A união entre os mais novos também é fundamental, à semelhança do que acontecia no meu tempo. Só todos juntos podemos fazer a modalidade crescer e levar a bandeira portuguesa mais longe. Está na hora de os freestylers portugueses meterem medo aos atletas de outros países.




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