A temporada dos "grandes"
- Manuel Brito-Henriques

- 17 de jul. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de jul. de 2020
O Futebol Clube do Porto derrotou, na passada quarta-feira, o Sporting Clube de Portugal por 2-0, naquele que foi, para a formação azul e branca, o jogo do título. À entrada para a jornada 32 do campeonato nacional, a formação nortenha apenas necessitava de empatar frente aos leões, no Estádio do Dragão. Um clássico do futebol português, nunca deixa de ser um clássico, independentemente daquilo que está a ser disputado. O Sporting, a realizar uma época muito abaixo daquilo que era esperado e desejado por toda a massa adepta do clube, está neste momento a lutar pelo último lugar do pódio, contra o Sporting Clube de Braga, que não aproveitou o deslize da formação verde e branca, empatando com o Belenenses SAD por 1-1, no Estádio Municipal de Braga.
O Futebol Clube do Porto apresentou uma equipa com vontade de se sagrar campeã o mais rapidamente possível, pese embora as ausências de Jesús Corona, Iván Marcano, Shoya Nakagima, Sérgio Oliveira e Mateus Uribe. O Sporting não teve à sua disposição Luiz Phellype, Luciano Vietto e Marcos Acuña. Quanto ao “jogo jogado”, o Porto acabou por ser superior durante todo o encontro, tendo mais posse de bola e criando mais situações de perigo. À semelhança de tantos outros “clássicos” da Liga NOS, o jogo foi sistematicamente interrompido contabilizando-se 36(!) faltas, ao longo de todo o encontro. A experiência da equipa da casa e a motivação de se sagrar campeã, acabaram por marcar a diferença, já que, do lado contrário, o Sporting, à semelhança do que já tem vindo a acontecer desde a chegada de Rúben Amorim a Alvalade, apresentou um onze inicial com 7 elementos com idade inferior a 23 anos, constando nessa lista Jovane Cabral, Gonzalo Plata, Matheus Nunes, Marcus Wendel, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Luís Maximiano, contrastando com o Futebol Clube do Porto que no onze inicial apenas apresentou 1 jogador com menos de 23 anos, o jovem Fábio Vieira.
Em ambos os golos marcados pelos dragões, a defesa do Sporting demonstrou alguma desatenção e o Porto soube aproveitar essas falhas de forma exímia. Danilo Pereira, à passagem do minuto 64, abriu o marcador, num lance onde calculou o local onde a bola iria cair, atacando o espaço sem qualquer oposição devido à forma como o canto foi defendido, e saltou mais alto do que Sporar, protagonizando um extraordinário cabeceamento, não dando hipóteses a Maximiano. Já em período de descontos, Otávio com um passe a procurar a profundidade de Marega, assiste o maliano, que com um toque subtil, acaba com as (poucas) dúvidas que ainda restavam. A defesa do Sporting novamente mal a defender o lance, uma vez que Borja não se alinhou com o resto da linha defensiva, pondo Marega em jogo, sem que este tenha sido acompanhado por Coates. Os azuis e brancos confirmaram, desta forma, o 29º título de campeão nacional português.
Faltando ainda 2 jornadas para o fim da temporada desportiva em Portugal e faltando ainda decidir quais as equipas que irão descer de divisão, é possível fazer-se já um rescaldo da época de Benfica e Porto que já não irão sair do 2º e 1º lugar da classificação, respetivamente. Como já explicado, a época do Sporting pode já ser considerada bastante fraca, com a equipa a poder ainda descer para 4º lugar, já que defrontará o Vitória FC que luta para não descer, e na última jornada jogará com o Benfica, na Luz. É considerada uma época terrível para a turma de Alvalade, visto que a equipa viu-se arredada da luta por qualquer troféu ainda em fevereiro, teve 4 treinadores só nesta temporada e teve 16 derrotas nesta época desportiva, tornando-se a temporada em que o Sporting somou mais derrotas, em 114 anos de história. Mas, o Sporting não foi o único dos ditos “3 grandes” a fazer uma época bem abaixo do esperado. Porto e Benfica tiveram uma temporada bastante fraca, o que é visível a nível interno e externo. O Porto, logo no início da temporada 2019/20, foi derrotado pelo Krasnodar no play-off de acesso à “Liga dos Campeões”, o que o impediu de estar presente na fase de grupos dessa mesma competição, tendo sido relegado para a Liga Europa, onde acabou por ser derrotado pelo Bayer Leverkusen nos 16avos, à semelhança de Sporting de Braga (vencedor da última edição da Taça da Liga), Sporting Clube de Portugal e Benfica, que foram eliminados na mesma fase da competição pelo Rangers, Basaksehir e Shaktar, respetivamente. Quanto ao campeonato nacional, a equipa orientada por Sérgio Conceição soma a 2 jornadas do fim 79 pontos, o equivalente a 25 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. A equipa portista chegou a estar a 7 pontos dos encarnados, equipa que desde a derrota com o Porto a 11 de fevereiro, em 39 pontos possíveis conseguiu apenas...18. Antes da interrupção do campeonato devido à Covid-19, o Porto encontrava-se em primeiro lugar, com apenas mais um ponto que a formação benfiquista. Após o regresso da competição até esta altura, foram disputados 8 jogos, onde em possíveis 24 pontos, o Benfica somou 12, ao contrário do Porto que somou 19, o que acabou por permitir aos orientados de Sérgio Conceição chegarem à penúltima jornada do campeonato com o título na mão e com mais 8 pontos do que a formação da Luz, que já nesta retoma acabou por ver Bruno Lage demitir-se.
Na temporada de 2019/20, sobra ainda a disputa da Taça de Portugal, a 1 de agosto em Coimbra, onde o 1º e 2º lugar irão discutir quem sucede ao Sporting na conquista da taça. O Benfica, por sua vez, não deseja acabar este ano desportivo sem qualquer título e o Porto ambiciona acrescentar a conquista desta taça ao já conquistado campeonato nacional.
Vale a pena assistir aos jogos da 2ª metade da tabela, pois Paços de Ferreira (35 pontos), Belenenses SAD (32 pontos), Portimonense (30 pontos), Tondela (30 pontos) e Vitória FC (30 pontos), continuam numa luta muito acesa, onde os 6 pontos em disputa nesta reta final de campeonato podem ser importantíssimos para a manutenção no primeiro escalão do futebol português.
Imagem de Afonso Silva





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