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As medidas de contingência e a situação epidemiológica em Portugal

  • Foto do escritor: Manuel Brito-Henriques
    Manuel Brito-Henriques
  • 11 de set. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 12 de set. de 2020

No dia 10 de setembro, a Associação de Voluntários Digitais em Situações de Emergência (VOST Portugal), disponibilizou na rede social Twitter, um relatório onde se apresentavam as medidas de contingência que entrarão em vigor no próximo dia 15 deste mês. Nesse relatório estão explícitas as medidas de controlo da pandemia a que o Governo pretende submeter os cidadãos portugueses, com o regresso às aulas a ser um dos fatores determinantes para a existência das medidas de contingência. Nesse mesmo relatório estão presentes diversos gráficos, onde é demonstrada uma curva exponencial e a comparação com o crescimento efetivo após o confinamento, e onde se nota, mesmo com a subida evidente de novos casos, um controlo muito mais eficaz do que aquele que foi calculado pela curva exponencial, superando, de forma clara, as expectativas. Outro gráfico demonstra que os riscos de transmissibilidade estão muito abaixo do que aquilo que era notado aquando da chegada da Covid-19 a Portugal, contendo algumas ligeiras oscilações. Contudo, o número de novos casos diários, tem vindo a subir. O número de indivíduos internados poderá vir a ter uma subida significativa, embora de momento se mantenha estável, à semelhança do que acontece com os cuidados intensivos, não havendo, no entanto, razões para grande preocupação, até porque o número de óbitos se mantém muito baixo e o número de recuperados é cada vez maior. O número de casos ativos está a apresentar uma tendência de subida, todavia esteja numa fase muito precoce. O mesmo relatório identifica que Portugal é o 5º país europeu que mais testes disponibiliza a cada milhão de habitantes. Este dado tem como justificação a regularidade com que os testes são feitos, cada vez com mais frequência e cuja distribuição é feita pelas várias regiões de Portugal Continental. Desde julho até ao dia 10 de setembro, o Norte está em primeiro lugar (8.120 testes), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (5.552 testes), Centro (3.078 testes), Alentejo (2.350 testes) e Algarve (1.430 testes). A aplicação para equipamentos eletrónicos “Stayaway Covid” já conta com 735.243 descargas, podendo ter um papel preponderante na prevenção do vírus, caso grande parte da população portuguesa apoie a iniciativa. Quanto às medidas de contingência, uma série de regras foram tornadas públicas. Os ajuntamentos estarão limitados a 10 pessoas, os estabelecimentos comerciais não poderão abrir antes das 10h e qualquer estabelecimento terá de fechar entre as 20h e as 23h, mediante o que for decidido por cada Câmara Municipal. Para além destas medidas, restaurantes que se localizem a 400m de qualquer escola ou que estejam presentes em centros comerciais, não poderão permitir a existência de um grupo com mais de 4 pessoas, mesmo que coabitem. À semelhança do que já havia acontecendo em Lisboa, o consumo de bebidas alcoólicas na via pública será proibido a qualquer hora do dia e a venda deste produto em estações de serviço deixará de estar disponível a partir das 20h. No que diz respeito ao regresso às aulas, o início do ano letivo nas escolas públicas dar-se-á entre 14 e 17 de setembro e terá regras específicas. Nessas regras destacam-se a readaptação da escola à realidade sanitária atual e planos de contingências nas escolas, de forma a que se preserve a segurança dos estudantes. No que diz respeito aos lares, com o objetivo de evitar os dramáticos acontecimentos que puseram em causa a vida de idosos, serão destacadas brigadas distritais, responsáveis por conterem e estabilizarem os surtos em lares. Relativamente aos diferentes empregos, haverá rotatividade perante aqueles que estão em teletrabalho e trabalho presencial e, para os trabalhos que só podem ser feitos presencialmente, os horários de saída serão incompatíveis com os de entrada, o que acaba por beneficiar o objetivo de se reduzirem os movimentos pendulares, uma das razões que justifica a ausência de adeptos nos recintos desportivos.

No que diz respeito à situação epidemiológica em Portugal, foram reveladas pelo Governo, no dia 11 de setembro, algumas estatísticas interessantes e que poderão ser necessárias e curiosas para entender quem é mais afetado pelo vírus e se, atualmente, Portugal tem conseguido controlar a Covid-19. Neste relatório está presente o número de casos totais em cada região de Portugal Continental e nas regiões autónomas, aliado ao número de novos casos e de óbitos desde a chegada do novo coronavírus a solo nacional. Na região Norte de Portugal Continental, a partir de dados relativos desde o início da pandemia até dia 10 de setembro, contabilizaram-se 22.819 casos (alguns já recuperados), 226 novos casos, tendo falecido 852 pessoas. A região Centro, por sua vez, apresentou um total de 5.154 casos, 60 novos casos, contando com 254 óbitos, até ao momento. Lisboa e Vale do Tejo é a região que mais casos totais e novos casos registou, sendo ultrapassada pelo Norte, no que ao número de óbitos diz respeito. Lisboa e Vale do Tejo apresentou um total de 32.170 casos, incluindo 368 novos casos, somando 694 óbitos, 3 deles no passado dia 10. O Alentejo é a região de Portugal Continental com menos casos totais confirmados, estabelecendo-se em 1.048 casos. Apresenta um total de 12 novos casos e 22 óbitos. O Algarve apesar de ter contabilizado um maior número de casos totais do que o Alentejo, com a existência de 1.192 casos, é a região de Portugal Continental com um menor número de óbitos, determinando-se a existência de 18 óbitos e de 1 novo falecido e 15 novos casos. As regiões autónomas constituem um exemplo claro às medidas que devem ser seguidas. Com algumas medidas próprias, tanto a região autónoma dos Açores como da Madeira, registaram valores baixíssimos. Os Açores, ainda assim, têm valores um pouco superiores aos da Madeira. Aferiu-se um total de 2.234 casos, 5 novos casos e 15 óbitos. A Madeira tem apenas 181 casos totais, 1 novo caso e não conta com qualquer falecido vítima da Covid-19.

A nível nacional há 17.314 casos ativos, 481 novos casos, 43.644 recuperados, 203 novos recuperados, 1.855 óbitos e 3 novos óbitos (contabilizados na região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve). 35.712 contactos estarão em vigilância e 62.813 casos já terão sido confirmados. 404 pessoas encontram-se internadas, havendo uma diminuição de 2 indivíduos no que ao internamento diz respeito. Para além disso, 54 sujeitos estarão nos cuidados intensivos, assistindo-se à presença de menos 3 pessoas nessa unidade de tratamento. Este relatório apresenta algo surpreendente, já que, dos casos confirmados, cerca de 28.000 são homens e 34.000 são mulheres, mas o número de óbitos é ligeiramente mais elevado no que aos homens diz respeito, apesar da margem ser ligeira. Quanto aos grupos etários, as principais vítimas mortais são os idosos com mais de 80 anos, contrastando com os infetados, onde no topo da tabela se encontra a população entre os 20 e os 59 anos.

10 de setembro foi o dia com maior número de novos casos desde 16 de abril. As medidas de contingência terão de ser respeitadas e cumpridas, de modo a que os números voltem a baixar drasticamente. A contribuição de cada cidadão fará a diferença.

Imagem de Afonso Silva

 
 
 

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