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Figura da Semana #3

  • Foto do escritor: Manuel Brito-Henriques
    Manuel Brito-Henriques
  • 26 de ago. de 2020
  • 3 min de leitura

23 de agosto de 2020, o dia que ficará na memória dos portugueses e, em especial, de Miguel Oliveira. O motociclista português conquistou, ao serviço da Red Bull KTM Teck3, o Grande Prémio de Estíria, a 5ª de 13 etapas. O campeonato do mundo de MotoGP, devido aos inconvenientes criados pela Covid-19, viu as etapas serem reduzidas, ficando em falta os “Grandes Prémios” das Américas, Argentina, Tailândia e Malásia, resumindo-se ao espaço Europeu, sob a custódia da Áustria, Espanha, França, Itália e República Checa.

Miguel Oliveira tornou-se no primeiro português a vencer uma das etapas de MotoGP, merecendo pleno destaque por esse mesmo motivo. O atleta elevou o nome de Portugal numa corrida que ficará para a história, não só pelo lugar na 1ª posição como também pelo facto de ter apresentado ao mundo as caraterísticas lusitanas, já que a persistência foi a chave do sucesso. O atleta de 25 anos teve a capacidade de unir os portugueses, num período em que o discurso de ódio vai crescendo no seio do país por motivos políticos, essencialmente.

No que à corrida diz respeito, o português parecia estar arredado da luta pela vitória nesta etapa, uma vez que apesar de se encontrar no 3º lugar, Jack Miller e Pol Espargaró pareciam algo distanciados de Miguel Oliveira, lutando pela 1ª posição. O atleta luso conseguiu, no entanto, aproveitar uma possível desatenção de ambos os adversários e, numa curva magnífica, acelerou sem nunca mais ser apanhado. Após a vitória, o motociclista português mostrava-se “muito emocionado”, agradecendo à “família, equipa, patrocinadores, os fãs portugueses”, alegando que, numa forma representativa da bandeira nacional, “mostrámos que somos os melhores”, sublinhando que se fez “história para Portugal”. O piloto já havia vencido outros prémios no que ao panorama internacional diz respeito, mas nenhum constituiu um feito tão grande.

No currículo de Miguel Ângelo Falcão de Oliveira estão presentes diversos títulos e pódios internacionais conquistados desde tenra idade. Em 2005, o atleta venceu o World Festival Metrakit. Em 2007, venceu o campeonato Mediterrâneo Pre-GP125. Em 2010, foi vice-campeão europeu, sendo que no ano a seguir estaria presente no campeonato do mundo. Em 2012, estreou-se no escalão de Moto3, conseguindo dois pódios, na Catalunha e Austrália. Em 2013, acabou com um último lugar do pódio, à semelhança do que ocorreu em 2014. Em 2015, foi vice-campeão do mundo, com 6 primeiras posições e 3 segundas posições, o que o levou a ascender, em 2016, à categoria de Moto2 e, em 2017, garantiu o 3º lugar do pódio, ao vencer 3 etapas e ao estar presente em mais 6 pódios. Em 2018, no campeonato do mundo, em 18 partidas venceu 3 e somou outras 9 presenças no pódio, o que o levou a assinar um contrato que garantia a presença no principal escalão do motociclismo mundial, sendo o primeiro português de sempre a estar presente em tal escalão. No ano passado, na estreia na MotoGP, não somou qualquer pódio, dado estar a enquadrar-se na realidade do escalão. Atualmente, como referido, continua a mostrar a bandeira portuguesa ao mundo. As expectativas em Miguel Oliveira são muito grandes, esperando-se que, mais tarde ou mais cedo, traga mesmo o título de campeão da MotoGP.

Miguel Oliveira é, pela razão apresentada, a figura da semana. O povo português estará eternamente grato. Heróis do mar e heróis das pistas, eis o sangue lusitano.


Imagem de Afonso Silva

 
 
 

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