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Rebenta a "bolha"

  • Foto do escritor: Manuel Brito-Henriques
    Manuel Brito-Henriques
  • 16 de out. de 2020
  • 5 min de leitura

Na madrugada de 12 de outubro, os LA Lakers tornaram-se os mais recentes campeões da NBA, liga de basquetebol que engloba várias equipas dos diversos Estados Federais dos Estados Unidos da América. A equipa de Los Angeles garantiu o 17º campeonato, empatando com os Boston Celtics no que ao número de títulos diz respeito.

Lebron James foi o MVP das finais (prémio atribuído ao “jogador mais valioso”), destacando-se como o 2º jogador com mais prémios de MVP nesta fase, apenas atrás de Michael Jordan, figura que lhe é muitas vezes comparada. Michael Jordan venceu o prémio por 6 vezes, enquanto que este foi “apenas” o 4º troféu deste caráter atribuído a Lebron, que dificilmente igualará o registo da figura histórica dos Bulls.

A época 2019/2020, agora terminada, será para sempre lembrada por diversos motivos. Para além do já mencionado empate entre Lakers e Celtics, a temporada demorou mais de 1 ano a ser finalizada, sofreu alterações na sua organização e teve nos Miami Heat, finalistas vencidos, a equipa revelação. A Covid-19 foi um fator preponderante nas alterações verificadas nos diversos setores, incluindo o do desporto. A época desportiva das diferentes modalidades foi interrompida pela pandemia, de forma temporária e, em alguns casos, de forma permanente. A NBA ponderou todas as situações, inclusive o do encerramento da época desportiva que, claro, afetaria a empresa e os seus trabalhadores. É de consideração universal a forma como Adam Silver, comissário da NBA, teve a capacidade de retomar a competição com ideias nunca antes executadas. Com a retoma marcada para final de julho, 30 equipas, as quais lutavam pelo acesso aos play-offs, disputavam os restantes 10 jogos que tinham de realizar. De modo a reduzir ao máximo os focos de contágio, a organização da NBA investiu cerca de 145 milhões de euros, criando uma “bolha” localizada no Walt Disney World Resort, a qual permitia a permanência dos diversos atletas e equipas técnicas, sem que estes pudessem sair do recinto. Cleveland Cavaliers, Atlanta Hawks, Detroit Pistons, New York Knicks, Chicago Bulls, Charlotte Hornets, Minnesota Timberwolves e Golden State Warriors, não tendo a possibilidade de marcar presença na fase final da liga norte americana, estão sem competir desde março.

O regresso do campeonato trouxe consigo uma onda de protestos a favor da justiça social, numa altura em que uma grande onda de contestação em todo o país se fazia sentir, após a morte de George Floyd, pelo que o racismo tomou conta da opinião pública durante os meses seguintes. No solo dos campos onde eram disputados os diferentes jogos, era visível o nome do movimento ativista “Black Lives Matter” (vidas negras importam). Para além disso, as camisolas de jogo tinham diferentes mensagens que apelavam à igualdade racial. Os atletas ajoelhavam-se perante o hino nacional, como forma de se manifestarem. Jonathan Isaac, uma das grandes figuras dos Orlando Magic, esteve envolvido numa grande polémica referente à questão acima referida. O extremo da equipa da Flórida recusou-se a ajoelhar perante o hino nacional e rejeitou utilizar camisolas com algum tipo de mensagem política, por não acreditar que “ajoelhar ou vestir uma camisola seja a resposta”, embora apoie o movimento e seja afro-americano.

No que ao desporto dentro de campo diz respeito, entre os jogadores que mais impressionaram pela positiva, consta Jamal Murray, que atua nos Denver Nuggets. O base da equipa de Denver esteve inspiradíssimo ao longo dos play-offs, sendo elemento fundamental para a chegada dos Nuggets à final da conferência Oeste, onde após vencerem os Utah Jazz e os LA Clippers (ambos por 4-3 e após desvantagem de 3-1), viriam a ser eliminados pelos atuais campeões. Murray, no primeiro jogo da série frente aos Jazz, marcou 36 pontos, dando uma breve amostra daquele que iria ser o seu desempenho até à data da eliminação da própria equipa. No jogo 5 desta série, com os Nuggets a perderem por 3-1 após permitirem 3 vitórias consecutivas por parte da equipa de Utah, Jamal marcou 42 pontos e, no jogo seguinte, 50 pontos, empatando a série. Contra os Clippers, equipa que fez uma época muito aquém das expectativas, chegando mesmo a despedir o treinador Doc Rivers que, com jogadores como Kawhi Leonard e Paul George, não conseguiu ir além das meias-finais da conferência onde atua, os Denver Nuggets viram em Jokic um dos grandes heróis, mas Murray foi fundamental para carimbar a passagem de Denver, já que no decisivo jogo 7, marcou 40 pontos. Contra os Lakers, na única vitória que somou, o atleta de 23 anos foi o melhor marcador da equipa, com 28 pontos.

Como referido, os Clippers foram a grande deceção da temporada desportiva agora terminada, pelo investimento feito, tanto na equipa técnica quanto nos jogadores disponíveis. Uma possível falta de dinâmica e harmonia entre os atletas poderá ter sido fator fundamental para a época fracassada. Pelo contrário, os Miami Heat foram a equipa revelação. Com um plantel muito equilibrado, tanto em qualidade como em idade, a equipa orientada por Spoelstra terminou a fase regular na 5ª posição, já após ter falhado os play-offs na época 2018/2019, sendo vista como uma equipa capaz de passar a 1ª ronda, mas que logo depois seria “arrumada” pelos Bucks de Giannis Antetokounmpo. Verificou-se o contrário. Em primeiro lugar, deu uma autêntica “vassourada” aos Pacers. Posteriormente, venceu a equipa que se estabeleceu na 1ª posição da conferência Este na época regular, por 4-1, sendo que a única vitória dos Bucks foi no prolongamento do jogo 4, com Giannis a sair lesionado. Após essa série bastante tranquila, os Heat teriam de enfrentar os Boston Celtics nas finais de conferência, equipa que já havia derrotado os Philadelphia 76ers por uns expressivos 4-0, e os detentores do título, Toronto Raptors, por 4-3, necessitando de vencer na “negra”. Antes de estar presente na final da NBA, a equipa de Jimmy Butler teria de derrotar os Celtics...e foi isso que aconteceu. A defesa à zona imposta pela equipa de Miami dificultou a tarefa dos orientados de Brad Stevens, levando, juntamente com a eficácia de Butler, Duncan Robinson e Tyler Herro, à vitória dos Heat por 4-2. Nos 5 jogos frente aos Lakers, os Miami Heat ainda ofereceram luta, mas insuficiente para parar Lebron James e Anthony Davis, muito devido à ausência de Goran Dragic e Bam Adebayo em determinado número de jogos. Em alguns desafios, ainda conseguiram conquistar respeito por parte dos adversários, especialmente no jogo 3 e 4. O jogo 3 foi o único que acabaram por vencer. Porém, n 4º jogo, perderam por apenas 4 pontos frente à equipa de Los Angeles. O encontro que acabou por dar a vitória aos Lakers foi um autêntico passeio. Ao intervalo, os atuais campeões tinham quase 30 pontos de vantagem, num claro desgaste físico de todos os atletas de Miami, especialmente de Butler, visto quase não ter sido substituído ao longo dessa série.

A vitória dos Lakers não causou grande surpresa, devido a diversas razões. Antes de mais, o investimento feito ao longo dos 2 últimos anos que, com a chegada de Lebron e posterior contratação de Davis, prometia uma enorme ameaça às restantes equipas. Aliado a isso, deu-se o trágico acidente de helicóptero que acabou por dar fim à vida de Kobe Bryant. Desde logo, a “Lakers Nation” procurou, incessantemente, esta conquista, de modo a honrar o legado e a vida de um dos maiores astros da história da equipa e do basquetebol mundial.

Chegando a “bolha” ao fim, Adam Silver anunciou que a próxima edição da liga norte-americana deverá arrancar em 2021, assistindo-se a uma mudança na calendarização da melhor liga de basquetebol do mundo.


Imagem de Afonso Silva

 
 
 

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