Política em altura de pandemia: Avante! e jantares-comício
- Manuel Brito-Henriques

- 2 de set. de 2020
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O Partido Comunista Português, liderado por Jerónimo de Sousa, e o Chega, liderado por André Ventura têm sido, nos últimos dias, alvos de imensas críticas por parte de cidadãos portugueses e de outros partidos políticos. No caso do PCP está em causa a realização da Festa do Avante!, algo que tem sido discutido nos últimos meses. Quanto ao Chega tem sido criticada a realização dos jantares-comício organizados pelo partido em causa, com destaque para o jantar-comício de Leiria no início do mês de agosto e os jantares-comício na Quinta do Lago e em Almada, no dia 26 e 29 do mesmo mês, respetivamente.
O primeiro jantar-comício do Chega contou com a presença de cerca de 800 pessoas distribuídas por algumas mesas, enquanto que o realizado na Quinta do Lago terá abrangido 300 indivíduos, entre os quais consta Cinha Jardim, a qual mereceu um agradecimento especial de André Ventura. O último, que ocorreu em Setúbal, contou com várias dezenas de apoiantes do partido de André Ventura. Em algumas fotografias publicadas nas redes sociais é visível a proximidade dos demais participantes nos jantares que têm ocorrido em diferentes pontos do país.
A Festa do Avante! apresenta, contudo, um maior número de manifestantes, visto não só promover o ajuntamento de muitas mais pessoas como, aliado a isso, constituir, segundo muitos, uma injustiça relativamente aos festivais de verão que não aconteceram. A Festa do Avante! que este ano decorre entre dia 4 e 6 de setembro, esteve próxima de não ser realizada, já que a DGS parecia não encontrar forma de conciliar a realização do evento com as medidas impostas pela mesma autoridade de saúde. Como forma de se manifestar contra a realização da festa organizada pelo PCP, a Juventude Popular, grupo de jovens do CDS, entregou um abaixo-assinado com 5 mil assinaturas, onde pedia ao Governo que proibisse a Festa do Avante!. Segundo Francisco Mota, homem que lidera a JP, a não proibição deste evento mete em causa a credibilidade do Governo. Para Francisco Mota, o “Governo devia agir com rigor e isenção e não dar a mão aos amigos e dar sinais contraditórios à sociedade”, acusando a autoridade governante de não estar “preocupada com os portugueses e com a saúde pública, mas sim com a sua sobrevivência política”. Apesar do tal abaixo-assinado ter sido entregue, o festival não será cancelado. De forma a permiti-lo, a DGS divulgou uma série de normas. No princípio constava-se que estariam presentes 100 mil pessoas, o que rapidamente se veio a desmentir, tendo a DGS permitido a presença de 16.563 pessoas, juntando ao facto de que a venda de bebidas alcoólicas só será permitida até às 20h. As pessoas que não coabitam terão de se manter a 2 metros de distância, os corredores e acessos serão de sentido único e com sinaléticas, ademais de que quem assiste aos concertos terá de estar sentado, o que acabou por ser aceite pelo próprio partido. Apesar da permissão, a DGS não considera que haja qualquer tipo de discriminação aos restantes festivais de verão e discotecas. Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa aponta como único defeito à autoridade de saúde as indicações que “pecam por tardia”. Por outro lado, os residentes de Amora (Seixal), local onde acontecerá a Festa do Avante!, declararam-se “completamente contra” esta iniciativa, dado que, na opinião dos mesmos, o PCP não está a ter a atitude correta, acusando-o mesmo de desprezar o papel dos profissionais de saúde. A DGS pede discernimento aos responsáveis pela organização da festa, porque o não cumprimento das vária medidas pode acarretar “diferentes riscos”, deixando nas “mãos” dos organizadores “a redução de riscos” e “o cumprimento da legislação vigente aplicável, bem como das normas, orientações e recomendações da DGS, durante todo o período de duração do evento”.
Como descrito, apesar de todas as manifestações de desagrado, a Festa do Avante! terá a possibilidade de ser celebrada. De relembrar que este festival já havia sido alvo de grandes contestações, principalmente por parte da Iniciativa Liberal que, mediante a apresentação de uma proposta para o orçamento do estado de 2020, procurou acabar com os benefícios fiscais para os partidos, em que constava o facto do PCP estar isento do pagamento de IVA e IMI durante a realização deste festival. Com toda a certeza, nos dias 4, 5 e 6 de setembro, a Festa do Avante! será frequente tema de conversa nas redes sociais.

Imagem de Afonso Silva



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